Como fazer bolha de sabão mais resistente
Esse experimento de
Química mostra como obter bolhas de sabão mais resistentes e explica como esse
conteúdo está relacionado às ligações de hidrogênio e às estruturas das oses.
Esse experimento bastante
divertido pode ser realizado pelo professor e pelos alunos dentro da sala de
aula mesmo.
O professor pode utilizar essa estratégia de ensino para ensinar os
conteúdos de “Forças intermoleculares”, principalmente as “Ligações de
hidrogênio” e também o conteúdo de “carboidratos ou glicídios”, que trata
das oses ou monossacarídeos.
Mais adiante será
explicada a relação desses conteúdos com o experimento proposto.
Por enquanto,
porém, vejamos o segredo para se obter bolhas de sabão grandes e que demoram a
estourar.
Procedimento:
Misture em um recipiente
100 mL de detergente para lavar louça, 100 mL de água e 50 mL de xarope de
milho.
Se quiser, você pode
fazer uma quantidade maior dessa “receita”, apenas tome o cuidado para seguir a
proporção de 1: 1: ½. Isto é, se, por exemplo, você colocar 500 mL de água,
terá que adicionar 500 mL de detergente e 250 mL de xarope de milho.
Deixe a mistura descansar
por dois dias para que ela fique homogênea sozinha, pois não é uma boa ideia
agitá-la, e depois é só se divertir, usando um aro com suporte feito de arame
grosso. Lembre-se que o aro deve ser menor que a boca do recipiente.
Relação do experimento
com conteúdos de Química:
As ligações de hidrogênio
são as forças intermoleculares mais intensas que existem e elas são atrações
que ocorrem entre átomos de hidrogênio ligados a átomos de flúor, oxigênio e
nitrogênio.
Na água, esse tipo de
interação ocorre entre os hidrogênios das moléculas de água, que representam o
polo positivo; e os oxigênios, que representam o polo negativo. Essa interação
ocorre em todas as direções – somente no caso das moléculas da superfície da
água que isso não ocorre, pois não há moléculas em todas as suas direções e
isso cria a chamada tensão superficial da água. Assim, é isso que ocorre com as
moléculas que estão na superfície da bolha: elas realizam ligações de
hidrogênio apenas com as moléculas que estão ao seu lado. A fim de diminuir
essa superfície ao mínimo e ficar mais estável, a bolha adquire o formato
esférico, com menor área de superfície e volume.
O detergente é um agente
tensoativo ou surfactante, pois ele diminui essa tensão superficial da água. A
bolha se mantém sem estourar em virtude das interações entre as moléculas de
água que restaram depois de se adicionar o detergente.
É aí que entra o papel
principal nesse experimento do xarope de milho. Ele é formado por 80% de
glicose e 20% de frutose, que são monossacarídeos ou oses. Essas substâncias
possuem em sua estrutura vários grupos hidroxila (OH), conforme mostra a figura
a seguir:
Essas várias hidroxilas
aumentam a quantidade de ligações de hidrogênio, pois haverá esse tipo de
ligação entre suas moléculas e também com as moléculas de água. Como resultado,
a evaporação da água na superfície da bolha será dificultada e as bolhas
demorarão mais tempo para estourar; além de se tornarem mais resistentes,
aumentando a probabilidade de se fazer bolhas maiores.
Essa função do xarope de
milho nos mostra que é possível usar no lugar dele qualquer substância que
apresente vários grupos OH em sua estrutura, como a sacarose, por exemplo, que
é o açúcar comum, e a glicerina.